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sexta-feira, 17 de março de 2017

O povo de Deus é santo é pecador

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É importante saber diferenciar a Pessoa da Igreja, que é santa, das pessoas da Igreja, que são santos e pecadores. O Papa João Paulo II nunca pediu ao mundo perdão pelos pecados da Igreja, mas pelos pecados dos filhos da Igreja.

O Catecismo da Igreja afirma que:

“Todos os membros da Igreja, inclusive os ministros, devem reconhecer-se pecadores” (Nº 827). Isto por causa da palavra de Deus que nos diz: “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos  perdoar  os pecados  e  para  nos  purificar  de toda iniquidade, se pensamos não ter pecado, nós o declaramos mentiroso e a sua  palavra não está em nós” (1 Jo 1,8-10).

Em quase todos nós, o joio do pecado ainda se  mistura ao bom trigo das virtudes, até o fim da nossa vida.

Desta forma a Igreja sempre será formada de santos e pecadores, como Jesus deixa claro na parábola do joio e do trigo (Mt 13,24-30.36-43). Por causa da fraqueza dos cristãos, o pecado existe na Igreja, mas podemos dizer que não é da Igreja. O pecado que está em nós não pertence à Igreja. Neste sentido, afirma D.Estevão Bettencourt que “as fronteiras da Igreja passam por cada cristão” (Curso de Iniciação Teológica, Mod. 21, pág. 85).

O agente do pecado não pode ser a Igreja, porque ela é uma Instituição, mas as pessoas que a formam. Por sua natureza a Igreja é sem mancha, já que Cristo a purificou com o seu sangue  (Ef 5,25-27).

Contudo ela carrega os pecados de seus filhos; mas estes não são seus propriamente dito. Como disse Karl Rahner: “Igreja Santa de homens pecadores”.

Quando a Igreja canoniza certas pessoas que viveram uma vida conformada à de Cristo – os santos e santas – que viveram na graça de Deus e praticaram as virtudes de maneira heroica, ela confirma e reconhece o poder do espírito de santidade que está nela. Esses são aqueles, como viu São João no Apocalipse, “os sobreviventes da grande tribulação; que lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14). A Igreja os propõe a nós como modelos a serem imitados. “Diante de Deus, eles intercedem por nós sem cessar” (Oração Eucarística).

A pujança dos santos, presentes em toda a longa história da Igreja, é a grande prova da sua santidade intrínseca. Eles sempre foram a fonte de renovação da Igreja nas horas mais difíceis. Foi assim com Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, que percorreram boa parte da Europa reformando o Carmelo masculino e feminino; foi assim com São Bernardo e São Domingos, que enfrentaram as heresias dos cátaros e albigenses do seu tempo; foi assim com São Francisco de Assis, que abraçando a “irmã Pobreza” restaurou a Igreja do seu tempo; foi assim também com Santo Inácio de Loyola, que fundou a Companhia de Jesus, com total submissão ao Papa, para edificar a Igreja; e foi assim, com tantos outros grandes santos, mártires, confessores, virgens, viúvas, jovens e até crianças, que testemunharam Jesus até o derramamento do sangue.

O brilho dos santos é um reflexo inequívoco da santidade intrínseca da Igreja. Diz a “Chirstifidelis Laici” que:

“A  santidade é a fonte secreta  e a medida  infalível da  sua  atividade apostólica  e do  seu  ela  missionário” (CL, 17,3).

Certa vez o Papa João Paulo II disse que:

“A santidade é a força mais poderosa para levar o Cristo, aos  corações dos homens” (LR Nº 24, 14/06/92, pg 22 [ 338]).

Os santos arrastaram multidões para Deus pela força imensa da sua santidade. Em outra ocasião o Papa disse:

“Ser santo, ser apóstolo, ser evangelizador: eis, caros fiéis, seja este também o vosso constante desejo e a vossa  aspiração… Desde  as  suas  origens  apostólicas a Igreja escreveu e continua a escrever uma história de santidade… Aqueles que seguem fielmente a chamada à santidade, escrevem a história da Igreja na sua dimensão mais essencial, isto é, aquela  da intimidade com Deus” (LR Nº 8, 24/2/96, pg 10 [903]).

Porque a Igreja é santa, na sua própria natureza, a santidade é, então, a vocação de todos os seus membros.

Prof. Felipe Aquino

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