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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Desafios à Igreja

Resultado de imagem para Desafios à Igreja Sínodo dos Bispos da América

De 16 de novembro a 12 de dezembro de 1997, reuniu-se no Vaticano o Sínodo dos Bispos da América. Por ocasião de seu encerramento, foi publicada a “Mensagem ao Continente Americano”. Nela há um item “Os Desafios à Igreja que está na América”.
Em muitos lugares, eclesiásticos e leigos são julgados, caluniados e ameaçados. Surge um novo secularismo, agressivo, que procura silenciar, no domínio público, a voz dos crentes e dificultar o conhecimento da enorme ajuda da Igreja ao bem-comum. Pede que os fiéis que trabalham ou têm atividades na vida civil e às pessoas de boa vontade, que têm influência na opinião pública, que se unam na defesa do Evangelho. Convida a opor-se a preconceitos anti-religiosos e a apoiar a contribuição da Igreja e de outras comunidades de Fé na busca do bem-comum (nº 30).
Essa situação, exposta pelo Sínodo da América tem suas raízes no passado da Igreja, nos dois mil anos de existência. Essa história vitoriosa nos dá tranqüilidade mas, ao mesmo tempo, faz despertar responsabilidades em nossos dias e, de maneira particular, no Brasil, às vésperas das eleições.

Nos estudos preparatórios ao Sínodo da América foram indicados diversos elementos que impedem ou dificultam a atuação da instituição fundada por Cristo. Entre elas, o predomínio de outros critérios, como o materialismo, o egoísmo, o hedonismo e o subjetivismo que se expressam, amiúde, por uma atitude contestatária à autoridade religiosa, familiar ou civil. Acrescente-se a cultura da morte, pela prática do aborto e da eutanásia (“ História do Sínodo da América”, página 587, n. 84). Como a Igreja advoga firmemente a preservação de princípios que se contrapõem a essas tendências, cresce uma reação que se manifesta por um anticlericalismo, bem ativo também em nossos dias.
A 11 de junho passado, João Paulo II, falando ao Episcopado venezuelano, por ocasião da “visita ad limina”, se refere à situação da Igreja nos tempos atuais: “De fato, a cultura laicista, o clima de indiferença religiosa ou a fragilidade de certas instituições tradicionalmente sólidas, como a própria Família, os centros educativos e, inclusive, algumas instituições eclesiais, podem incidir nos canais através dos quais se transmite a Fé e se promove a educação cristã às novas gerações”.
A reação contra a Igreja tem origens diversas. No entanto, é confortador constatar que, muitas vezes, são fruto do cumprimento da sua missão. Sofre as conseqüências da fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo. Ele já havia advertido seus discípulos: “O mundo vos há de odiar, por minha causa”(Lc 21,17). Repetidas vezes volta ao assunto: “Nesse tempo vos entregarão a tribulações e vos matarão e sereis odiados por todos os povos, por causa do meu nome (Mt 24,9).
Nos Atos dos Apóstolos lemos o seguinte episódio: “Estavam eles falando ao povo, quando sobrevieram os sacerdotes, oficiais do templo e os saduceus. Contrariados por vê-los ensinar ao povo e , em Jesus, a ressurreição dos mortos, lançaram as mãos sobre eles e os recolheram ao cárcere até a manhã seguinte, porque já era tarde.(...) Chamando-os, pois, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem mais em nome de Jesus”(At 4,.2.3.18). A perseguição, a calúnia e os ataques aos cristãos, com freqüência vêm a lume. A cristandade primitiva suportou as conseqüências decorrentes da observância das diretrizes do Evangelho em um “mundo inteiro sob o poder do maligno (...), que não pode atingir quem é de Deus” como ensina São João (1Jo 5,18-19). Acresce o fato de a obra fundada por Jesus Cristo ser composta de homens, também pecadores, embora chamados a viver na santidade.
E assim vem ocorrendo, até nossos dias, com maior ou menor intensidade. Qual tem sido a nossa atitude? Evidentemente, a situação decorre do pecado pessoal, da maldade humana e da ação do Maligno contra Deus e seus seguidores. Acolhendo com perseverança e fidelidade a Cristo, essa luta se transforma em fonte de merecimentos para a eternidade. Os mártires são fruto da luta do Bem contra o Mal.
No entanto, tudo deve ser feito para neutralizar este clima hostil e impedir que seja prejudicada a causa do Evangelho. A obediência à Igreja, por parte de seus filhos, se impõe a todos os batizados. Devemos, com coragem, enfrentar os ataques. Os filhos das trevas são mais hábeis do que os filhos da luz, diz o Evangelho.
As seitas e os que raciocinam segundo ideologias, com freqüência, ferem a verdade, proclamando falhas fora do seu contexto histórico e ocultando um extraordinário acervo de benemerências. Fatos acontecidos há séculos passados, quando o castigo às faltas era considerado brando, em comparação com as leis em vigor, são levados ao pelourinho da opinião pública, à luz dos critérios contemporâneos.
Outra distorção muito comum nos órgãos formadores da opinião pública, é o silêncio acerca do bem que se realiza e a proclamação de qualquer mal que ocorre.
Um perigo que se anuncia e pelo qual responderemos diante de Deus, é contribuir com nosso voto para que indivíduos de boa fé ou cegos por sectarismo disponham, no Legislativo e Executivo, de uma arma a ser utilizada contra a Igreja Católica.
Não servimos a Deus manipulando a política partidária levados pelo proselitismo religioso. Bem diferente desse procedimento é escolher candidatos que sejam fiéis aos preceitos da Lei, gravada por Deus no coração dos homens, que favoreçam o bem comum e que façam jus à devida confiança de que não serão instrumentos do sectarismo religioso.
Duas conclusões se impõem: toda notícia sobre a Igreja, seja atentamente examinada, pois, repetidas vezes, em certos órgãos da mídia, sofrem influência motivada pelo anticlericalismo. E a outra, é não servir-se da Religião com objetivos alheios ao Evangelho, como a política partidária.
D. Eugênio de Araújo Sales
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

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