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sábado, 6 de maio de 2017

Destino existe? (Parte 2)

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Consequências imediatas
De tais premissas seguem-se conclusões importantes:
1) Os despachos e trabalhos das religiões afro-brasileiras nada podem fazer contra quem quer que seja; carecem de eficácia ou de força mágica. Verdade é que vários fiéis católicos se afligem, porque sabem que alguém ou algum adversário está fazendo despachos contra essas pessoas, e vão procurar a Igreja para pedir um exorcismo. Há também quem se julgue desgraçado por causa de um “trabalho” de Umbanda e vá solicitar um exorcismo na Igreja. Ora tal pensar e agir é errôneo; não existem exus e orixás, de modo que são totalmente ineficazes as oferendas de galinha preta, farofa, cachaça, charutos (…), que se lhes façam; nenhuma entidade do além acode a essas oferendas.
O demônio, que a Escritura e a fé católica reconhece, não é exu nem orixá; é um anjo que Deus criou bom e que se perverteu pelo pecado de soberba; recebe agora a autorização de Deus para tentar o homem e levá-lo ao pecado, se a pessoa tentada consentir nas sugestões do Maligno; o que Satanás quer, é o pecado; não lhe importam a galinha preta, a farofa, a cachaça e os charutos oferecidos aos pretensos orixás. Por conseguinte, nenhum despacho de macumba causa desemprego, destruição de casamento, doença (…), a não ser que a pessoa alvejada pelo despacho creia que este é eficaz; se o crê, sugestiona-se, julga-se condenada a um infortúnio e, insegura, pode-se precipitar numa desgraça ou deixar-se envolver num acidente; em tal caso, a eficácia não é do despacho, mas da sugestão (…) sugestão que a pessoa concebe por imaginar que o despacho é eficaz.
2) Nenhum objeto de superstição faz bem ou mal a alguém. Daí se segue que o cristão não dá crédito a figas, bentinhos, amuletos … Estes podem desencadear a sugestão, sim, que é eficaz, como dito, mas eficaz por causa de uma atitude subjetiva, sem fundamento objetivo ou real.
3) O cristão não crê em horóscopo, como se os astros definissem o futuro do homem. Verdade é que, desde épocas antigas, os homens imaginaram estar sujeitos ao poder dos astros, tão belos e pujantes parecem. Os antigos escritores da Igreja relutaram contra tal concepção, remanescentes entre os fiéis cristãos. Podem os astros, em alguns casos, influir sobre o físico e o psíquico do homem, causando reações psicossomáticas (melancolia, júbilo, depressão …), o que não significa traçar o futuro do homem.
4) O cristão também não crê em cadeias de oração, ou seja, em preces que é preciso copiar umas tantas vezes e passar adiante sob pena de sofrer alguma desgraça, caso não o faça, ou com a perspectiva de receber algum benefício, desde que o execute. Não há fundamento algum para crer no valor de tais correntes de oração; vêm a ser uma contratação da verdadeira oração, esta é um recurso filial a Deus, que vale pela fé, o amor e a humildade com que a criatura reza ao Pai do céu.
5) O cristão também não aceita a “mística dos números”, segundo a qual alguns números são portadores de boa sorte e outros são de mau agouro. Nem o número 13 é mau, nem o número 666… Ver Curso sobre Ocultismo da Escola Mater Ecclesiae, Módulo 20.
6) Em suma, o cristão não crê que as coisas acontecem porque Deus as decretou cegamente, sufocando a liberdade do homem.  Deus sabe tudo o que acontecerá no futuro, pois Ele nada pode ignorar. É de notar, porém, que preciência não é predefinição ditatorial; Deus prevê que os homens livremente farão tais e tais coisas; paralelamente alguém, a partir de uma janela, pode prever que dois carros se chocarão entre si; pode ter certeza disto, sem ser causa do desastre.
O Cristianismo repudia o Fato ou o Destino, conceito mitológico, e, em seu lugar, professa a Providência Divina.
A PROVIDÊNCIA DIVINA
A Providência Divina se define como a ação pela qual Deus se dispõe a levar todas as criaturas para o seu fim devido; Deus não abandona a criatura depois de lhe ter dado existência, mas, tendo-a criado em vista de uma finalidade sábia e grandiosa, provê aos meios para que cada criatura possa atingir a sua meta (sem destruição da liberdade de arbítrio, no caso das criaturas intelectivas); essa meta é a manifestação da bondade, da sabedoria e da santidade de Deus.
A S. Escritura acentua essa ação providencial de Deus em muitas passagens; é Ele quem dá a chuva, os frutos e o alimento no momento oportuno (Jr 5,24; Dt 11,45s; Sl 144,15); é Ele quem dá o dia, a noite, as estações (Sl 73 (74), 16s; 135 (136), 8s); aos pássaros do céu e aos lírios do campo Ele fornece o sustento necessário (cf. Mt 6, 25-34; Lc 12, 22-31).  Especialmente para com o homem é solícito, de tal modo que todos os cabelos da sua cabeça estão contados (cf. Mt 10, 29-31).
A Providência Divina, por abarcar toda a história da humanidade, vê mais amplamente do que a mesquinha mente humana. Por isto Ela nem sempre coincide com o modo de pensar da criatura. Há mesmo os silêncios de Deus ou os momentos em que Ele parece ausente da história dos homens; todavia a Escritura mostra como também essas fases obscuras são acompanhadas pela Sabedoria Divina; é o que vem à baila muito claramente na história do Patriarca vendido a estrangeiros por seus irmãos invejosos; no fim de tão trágica história diz José: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora não vos entristeçais nem vos aflijais por me terdes vendido, porque foi para preservar vossa vida que Deus me enviou diante de vós… Não fostes vós que me enviastes para cá, mas Deus, e Ele me estabeleceu como pai para o Faraó, como governador de todas as regiões do Egito” (Gn 45,4s, 7s). Os livros de Rute, Judite, Ester, Daniel… são outrossim eloquentes testemunhos da ação providencial de Deus em favor dos seus fiéis. Ele sabe tirar  dos males bens maiores; o que, os olhos dos homens, parece desastre final. Ele o converte em ponto de partida para o derramamento de novas graças. O Novo Testamento insiste em que o cristão se deve configurar a Cristo mediante a cruz, para participar também da ressurreição; nessa trajetória ele é acompanhado pelo sábio desígnio do Pai; cf. Mt 10, 24-31.  Tenha confiança filial (Rm 8, 28-32).
A propósito vem a temática da oração. Esta, não raro, é tida como instrumento apto a dobrar a vontade de Deus; nisto há um antropomorfismo. A vontade de Deus é imutável. – Então qual o papel da oração, que o Senhor Jesus tanto recomendou? Cf. Lc 11, 9-13. Ei-lo: desde toda a eternidade, Deus decretou dar às suas criaturas os bens de que precisam; as criaturas irracionais recebem-nos inconscientemente, o homem, porém, dotado de inteligência e vontade, deve recebê-los conscientemente. Para tanto, o orante sugere a Deus os bens que lhe parecem oportunos para que atinja a sua finalidade suprema; sugere mesmo o pão de cada dia, a saúde, o emprego…, tudo que seja honesto e pareça condizer com a autêntica meta do homem; assim este colabora com o plano da Providência Divina, que quer dar ao homem…, mas quer dar mediante a oração. Pela oração não é o homem que rebaixa Deus ao plano da sua sábia Providência. Assim entendida, nenhuma oração é inútil; desde que realizada em união com Cristo, que dizia: “Pai, se possível, passe este cálice; mas faça-se a tua vontade, e não a minha” (Mc 14,26), a oração encontra sempre resposta; se o Pai não nos dá aquilo que, na nossa simplicidade, lhe sugerimos, dá-nos algo de equivalente ou melhor.
Dito isto, põe-se a questão: e o mal produzido pelas criaturas recai sobre Deus? Então não seria Deus responsável pelas falhas das criaturas? – Em resposta, lembremos que o mal não é um ser positivo, mas uma carência; é a falta de um ser que deveria existir: a cegueira é a falta de olhos, o pecado é a falta de harmonia do agir humano com o seu Fim Supremo. Ora a carência não tem causa direta; indiretamente, ela é causada pela criatura, que é capaz de agir inacabadamente. Deus não pode agir imperfeitamente.
E por que permite Deus que as criaturas exerçam suas deficiências? Porque não as quer forçar nem violentar, Ele sabe, porém, utilizar até o mal das criaturas, para produzir bens maiores, como observa S. Agostinho: “Deus onipotente (…), sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem” (…).”Ele julgou melhor tirar dos males o bem do que não permitir que mal algum viesse a existir” (Enquiridio, cap. 11 e 27).
JESUS CRISTO, O DESTINO E AS CRENDICES
Em complemento, publicamos um texto de Roger Garaudy, ex-comunista que se aproximou do Cristianismo, e, em sua fase de aproximação, escreveu a respeito de Jesus Cristo, pondo em evidência a superação dos mitos e das crendices por parte do Senhor Jesus e de sua mensagem:
PARA VOCÊ, QUEM É JESUS CRISTO?
“Mais ou menos sob o governo de Tibério, ninguém sabe exatamente onde nem quando, alguém cujo nome nos é conhecido, dilatou os horizontes dos homens …
Por certo, Jesus não foi nem um filósofo nem um tribuno, mas viveu de tal modo que toda a sua vida teve um significado… Para proclamar até o fim a boa-nova, era preciso que ele mesmo, mediante a sua ressurreição, anunciasse que todos os limites, mesmo o limite supremo, a morte, foram vencidos.
Este ou aquele erudito poderá contestar todos os feitos da existência de Cristo; mas isto não altera a certeza de que ele mudou a vida.Acendeu-se um braseiro. Esta é a prova de que havia uma centelha ou uma chama que fez surgir esse braseiro.
Todas as filosofias até Cristo meditavam sobre o destino e as forças cegas que regem o homem. Jesus Cristo mostrou a loucura dessasfilosofias. Ele, que foi o contrário do destino. Ele, que foi a liberdade, a criação, a vida. Ele que removeu o fatalismo da história.
Jesus Cristo realizou as promessas dos heróis e dos mártires, que lutaram pelo grande despertar da liberdade. Ele cumpriu não apenas as esperanças do profeta Isaías ou as iras de Ezequiel.  Jesus libertou Prometeu  das suas cadeias e Antígono dos muros de seu cárcere. Essas cadeias e esses muros eram imagens mitológicas do destino; elas caíram diante de Cristo e se pulverizaram. Todos os deuses morreram então, e o homem começou a viver. Deu-se como que um novo nascimento do homem. Olho para a cruz que é o símbolo disso tudo, e penso em todos aqueles que alargaram os braços da cruz. Penso em São João da Cruz, que, pelo fato mesmo de nada possuir, nos ensina a descobrir o tudo. Penso em karl Marx, que nos mostrou como se pode transformar o mundo. Penso em Van Gogh e em todos aqueles que nos fizeram tomar consciência de que o homem é grande demais para bastar a si mesmo.
Vós, homens da Igreja, que guardais escondida a grande esperança que Constantino nos roubou, devolvei-nos essa esperança! A vida e a morte de Cristo pertencem também a nós, a todos aqueles para quem elas têm sentido. Pertencem a nós que aprendemos de Cristo que o homem foi criado criador (…)”.

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