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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Ela esmagará a serpente

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Levantai a cabeça, filhos de Adão, e sacudi vossas correntes. A humilhação que pesava sobre vós foi hoje aniquilada. O hálito do dragão infernal foi afastado, para não mais aviltar vossa natureza.

A festa da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem é a mais solene de todas as que a Igreja celebra no santo Tempo do Advento. Sendo necessário que esta primeira parte do Ciclo Litúrgico comemorasse algum dos mistérios de Maria, não era possível escolher outro cujo objeto harmonizasse de forma mais tocante com as piedosas preocupações da Igreja ao longo deste místico período de espera.

Festejemos, pois, com júbilo esta Solenidade, porque a concepção de Maria é presságio do nascimento de Jesus que se aproxima.

Espelho da santidade do próprio Deus

No dia 8 de dezembro de 1854, para sempre memorável, a fé da Igreja Católica, que nós reconhecemos solenemente como revelada pelo próprio Deus, ensinou-nos, pero oráculo apostólico proferido pela boca de Pio IX em meio às aclamações da Cristandade inteira, que quando Deus uniu a alma de Maria ao corpo por Ele criado para ser animado por ela, esta alma, para sempre
bendita, não somente não foi maculada pela nódoa que penetra em todas as almas humanas, mas sim preenchida por uma imensa graça que a tornou, desde aquele momento, espelho da santidade do Altíssimo em toda a medida alcançável por um ser criado.

Tal suspensão da lei imposta pela justiça divina à posteridade de nossos primeiros pais foi motivada pelo respeito que Deus tem para com sua própria santidade. Maria não estava unida à divindade apenas como Filha do Pai Celeste; estava chamada a se tornar Mãe imaculada do Filho e Santuário inefável do Espírito Santo, e esses laços exigiam que nenhuma mácula alcançasse, nem sequer por um instante, a criatura predestinada a ter tão estreitas relações com a Trindade adorável.

Nenhuma sombra haveria jamais de escurecer em Maria a pureza perfeita que Deus, soberanamente santo, quis encontrar nos seres por Ele chamados para gozar de sua simples visão no Céu.

Em uma palavra, como diz o grande Doutor Santo Anselmo: “Convinha que fosse ornada com uma pureza tal que não se pode conceber maior depois de Deus esta Virgem a quem Deus Pai devia confiar seu Filho, de uma maneira tão singular que Ele Se tornaria, pela sua natureza, o Filho comum e único de Deus e da Virgem; esta Virgem que o Filho devia eleger para d’Ela fazer substancialmente sua Mãe, no seio da qual o Espírito Santo queria operar a concepção e o nascimento d’Aquele de quem Ele procede” (De conceptu virginali, c.XVIII).

Deus podia, Deus devia: Deus o fez

Ao mesmo tempo, os inefáveis laços de ternura e deferência filial que o Filho de Deus contrairia com Maria, já estavam presentes em seu pensamento desde toda a eternidade, obrigando-nos a concluir que o Verbo Divino nutria por esta Mãe que Ele devia ter no tempo um amor de uma natureza infinitamente superior ao que Ele sentia por todos os seres criados por seu poder. A honra de Maria era por Ele desejada acima de todas as coisas, uma vez que estava destinada a ser sua Mãe e já o era em seus eternos e misericordiosos desígnios.

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Imaculada Conceição Santuário do Sameiro, Braga (Portugal)

O amor do Filho, portanto, protegeu a Mãe. Em sua humildade sublime, não recusou Ela nenhuma das condições às quais todas as criaturas de Deus são obrigadas a se submeter, nem rejeitou qualquer uma das exigências da Lei de Moisés, que não podiam ser aplicadas a Ela. Entretanto, a mão do Filho Divino desceu sobre Ela para quebrar a afrontosa barreira que, se interpondo diante de todo filho de Adão que chega a este mundo, lhe fecha o caminho da luz e da graça até ser regenerado por um novo nascimento.

O Pai Celeste não podia fazer pela Nova Eva menos do que tinha feito pela antiga. Assim como o primeiro homem, ela foi estabelecida desde o princípio num estado de santidade original, no qual não soube se manter. O Filho de Deus não podia permitir que a Mulher de quem Ele receberia sua natureza humana tivesse algo a invejar àquela que foi a mãe da prevaricação. O Espírito Santo, que A cobriria com sua sombra e A tornaria fecunda por sua divina ação, não podia permitir que sua Bem-Amada fosse maculada, ainda que por um instante, pela mancha aviltante com a qual somos todos concebidos.

A sentença é universal, mas uma Mãe de Deus não podia estar sujeita a ela. E será que o Autor da lei, que a aplica com total liberdade, não tinha o poder de eximir do seu cumprimento a quem estava destinada a unir-se a Ele de tantos modos? Ele podia, Ele devia: Ele o fez.

A salvação foi anunciada sob a forma de uma vitória contra satanás

Não era esta gloriosa exceção que Ele mesmo anunciou quando compareceram diante de sua majestade ofendida os dois prevaricadores, dos quais nós todos procedemos?

Junto com o anátema que caía sobre a serpente, descia sobre nós a promessa misericordiosa: “Eu estabelecerei, disse Javé, uma inimizade entre ti e a Mulher, entre tua raça e a descendência d’Ela, e Ela lhe esmagará a cabeça”. Assim, a salvação foi anunciada à família humana sob a forma de uma vitória contra satanás, e é a Mulher que deve obter para todos nós essa vitória.

Não está dito que o Filho da Mulher conquistará sozinho esta vitória. O Senhor afirma, pelo contrário, que a inimizade da Mulher contra a serpente será pessoal: Ela esmagará a cabeça do odioso réptil com seu pé vencedor.

A Nova Eva, em síntese, será digna do Novo Adão e triunfante como Ele. O Senhor não fala que a raça humana será um dia vingada apenas pelo Deus feito Homem, mas também pela Mulher miraculosamente subtraída de toda mácula de pecado, de sorte que a criação primitiva “na justiça e santidade” (Ef 4, 24) reaparece n’Ela como se a primeira falta não tivesse sido jamais cometida.

Levantai a cabeça, filhos de Adão, e sacudi vossas correntes. A humilhação que pesava sobre vós foi hoje aniquilada. Maria, feita da mesma carne e sangue do que vós, viu recuar diante d’Ela a torrente de pecado que arrasta todas as gerações: o hálito do dragão infernal foi afastado para não mais a aviltar; a dignidade primeva de vossa origem foi restabelecida n’Ela.

Saudai, pois, o dia afortunado em que a pureza original de vosso sangue foi renovada. A Nova Eva foi concebida e de um sangue idêntico ao vosso, com exceção do pecado. Em pouco tempo, Ela vos dará o Homem-Deus que d’Ela procede segundo a carne como provém do Pai por uma geração eterna.

Fonte: Arautos do Evangelho

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