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quarta-feira, 12 de julho de 2017

”Carta da Terra”, Você já ouviu falar?

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Todos nós queremos e devemos preservar a Terra da destruição; impedindo o envenenamento da água, do ar e do solo; pois Deus colocou o homem na Terra como o seu jardineiro para “guardá-la e cultivá-la” (Gn 2,15); e ele  terá de prestar contas a seu Senhor.

Então, há uma saudável ecologia, amparada na teologia, que obriga o homem a cuidar da natureza, em nome de Deus. Mas há também uma doentia ecologia, na verdade um “ecologismo” desvirtuado, que coloca a Terra (Gaia), como se fosse uma deusa, em nome de quem tudo deve ser sacrificado, como se o homem fosse feito para Terra, e não a Terra para o homem. Os cristãos precisam urgentemente saber fazer esta distinção para não serem enganados por muitos que estão contra Deus.

Onde está hoje este desvirtuamento? Em muitos pontos: em primeiro lugar uma “mentalidade contraceptiva” que acha que para “salvar” a Terra, é preciso reduzir drasticamente a natalidade (impedir a vida de existir!).

Ora, todo mundo sabe que hoje sobra alimento em muitos lugares do mundo; na Europa e nos EUA os fazendeiros são pagos pelo governo para não produzir. No Japão há 300 pessoas por kilometro quadrado (e não há fome nem analfabetismo), na Europa um média de 120; enquanto na América do Sul e Central há apenas 20. E ainda querem nos fazer engolir goela abaixo, que é preciso limitar a natalidade na América Latina. Ah, não; vamos resolver os nossos problemas de maneira correta, “não há solução fácil para problema difícil” (Paulo VI), o problema social não pode ser resolvido com uma pobre ideologia que consiste em “impedir a vida de existir”. Isto é uma miséria humana e moral. É um pragmatismo simplista, comodista, egoísta e depauperado, que quer impedir o pobre de existir.

A Igreja acredita que Deus deu ao homem meios e inteligência para resolver todos os seus problemas. Quando não os resolve é porque o pecado impede: ganância, orgulho, ateísmo, hedonismo, guerras, etc, e não porque faltam meios. Nunca o homem teve tanta tecnologia e nunca ele praticou tanto o controle da natalidade. Há algo muito errado nisso.

A Carta da Terra é um manifesto materialista, pagão, panteísta (tudo é Deus), que busca enganosamente dar uma base “ética” a um férreo controle da natalidade no mundo. Este manifesto cresce na América Latina, especialmente impulsionado por governos e instituições socialistas de esquerda. Em nome da “Mãe Gaia”, se impõe um drástico controle da natalidade; assim, o que teremos será um planeta cheios de armazéns de matérias primas que assegurem a manutenção de hábitos opulentos de consumo de uns poucos privilegiados, com o sacrifício da vida dos outros.  Eis a razão da linguagem anti-natalista da ONU e de muitas ONG.

Neste contexto, logo será imposto quotas de povoação em certas áreas do planeta para se conservar os recursos naturais.

É atrás dessa mentalidade que a Carta da Terra enfatiza os conceitos que a ONU utiliza para disfarçar sua política de drástico controle da natalidade e seus projetos de reengenharia social, como a “perspectiva de gênero” e a “saúde reprodutiva e sexual” (apologia do aborto), como algo fundamental para o desenvolvimento sustentado.

A Carta da Terra traz no seu bojo um novo e perverso “humanismo”, que valoriza muito mais as focas, as baleias, os gorilas, os elefantes, as mariposas, os ovos de tartaruga, etc, do que a criança no ventre da mãe. Os animais devem ser protegidos a todo custo, mas o feto no ventre da mãe pode e até deve ser eliminado. Que humanismo é este?

O pior de tudo é que fala de aborto “em nome dos direitos humanos”, da paz, da igualdade, da harmonia universal. Será que há atentado maior contra os direitos humanos e a paz, do que o atentado contra a vida no ventre da mãe?

Será que as pedras, as plantas e os animais têm os mesmos direitos dos homens. Será que o Criador não colocou o homem como o seu jardineiro da terra? Será que os animais, vegetais e minerais têm uma alma imortal criada à imagem do Criador? A mentalidade da Carta da Terra nega tudo isso; e  cultiva uma ideologia  materialista, mas pseudo religiosa,  para enganar os despreparados próprio das mitologias orientais, do indigenismo latino americano e dos esoterismos, todos contrários ao cristianismo, Nesta linha, procura-se reconhecer e cultivar intactos a cultura e a religião dos povos primitivos e se reconhece o direito deles voltarem às suas práticas religiosas de origem, consequentemente impedindo a evangelização. É aqui que a mentalidade da Carta da Terra tromba com a Igreja. Pois sua missão é levar o cristianismo a todos os povos, inclusive os nativos. Se a Igreja não evangelizar ela se esvazia, perde o seu sentido e a sua identidade, disse Paulo VI, na “Evangelii Nuntiandi”.

Jesus mandou evangelizar a “todos os povos” e a “todas as nações”, batizando-as e ensinando-as a observar tudo o que “Ele ensinou (cf. Mt 28,19-20).

Deixar de evangelizar os povos indígenas, tentando preservá-los “intactos” da mesma maneira que se preserva uma espécie animal, é trair Jesus Cristo e o Evangelho em muitos pontos essenciais.

João Paulo II disse certa vez que a aculturação significa o Evangelho penetrar nas culturas e purificá-las de tudo que for contra o que Cristo ensinou.

(Fonte: Hugo L. Pereyra, La Carta de la Tierra. Juicio Crítico, Gladius, nº 43, 25-12-98, Buenos Aires; Juan C. Sanahuja, El Desarrollo Sustentable. La Nueva Ética Internacional, Vortice, Buenos Aires, 2003).

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Prof. Felipe Aquino

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