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Qual a distância do Egito ao Mar Vermelho. Do Sinai até o Rio Jordão?

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Pergunta de Paulo Roberto Ribeiro de Pires do Rio / Goiás e resposta do Prof. Dr. OdalbertoOlá Paulo Roberto Ribeiro de Pires do Rio / Goiás !Imagino que a pergunta que estas fazendo tem relação com a caminhada do povo de Deus a terra prometida. O caminho do Êxodo. Para responder esta pergunta temos algumas dificuldades, este povo em caminho seguia pelo deserto, possivelmente tinha caminhos de caravanas que sabiam onde estavam os Oasis, para se reabastecerem, assim o caminho se tornava tortuosos e mais longo.

Profeta Ezequiel

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Ezequiel

Ezequiel (hebr. “Yehezq’el” = “Deus é forte”, ou “Deus dá força”) era filho do sacerdote Buzi. Ele próprio foi sacerdote em Jerusalém, o que se comprova pela linguagem de que se serve e pela atitude que tomou quanto ao culto. Deve ter nascido em 620 a.C., em Jerusalém, na época do rei Josias. A sua mulher faleceu subitamente antes da destruição da cidade de Jerusalém (Janeiro de 586). Em 597, por altura da primeira deportação, foi para a Babilónia com a família, tendo-se instalado em Tel- -Aviv. Ali se situa a sua visão do carro do trono de Deus com a sua glória, no quinto ano da deportação do rei Joaquim, ou seja, em 592. É então que sente a vocação para profeta, quando contava cerca de 30 anos de idade (1,1-28; 2,1-7). A sua actividade profética na Babilónia dura cerca de vinte anos (1,2; 29,17), sendo a última profecia do ano 570.

CONTEXTO E AUTOR

As condições em que viviam os exilados deviam ser muito difíceis. Muitos foram condenados a trabalhos forçados. A principal colónia foi a de Tel-Aviv, junto ao rio Eufrates, mais precisamente nas margens do Cabar (1,1.3; 3,15). À sua frente estavam os anciãos (8,1; 14,1; 20,1). Mas o sofrimento interior dos exilados era muito grande por se encontrarem longe da pátria, de Jerusalém e do Templo. O Salmo 137 é uma autêntica balada dos exilados, traduzindo a amargura e a saudade do povo, a quem os carcereiros pediam “cânticos de alegria” (Sl 137,3).

A tentação da dúvida e do desespero ameaçava profundamente a sua alma. Muitos terão pensado: o nosso Deus abandonou o seu povo; os deuses pagãos levaram a melhor sobre o Deus de Israel! De facto, os Babilónios cantavam vitória: o deus Marduk triunfara. Ali, em terras da Mesopotâmia, o culto das divindades pagãs devia exercer sobre os Judeus uma forte impressão. Além disso, a feitiçaria e a adivinhação eram uma tentação constante para eles (13,17-23; Jr 29,8).

Outra ideia que o profeta refuta é esta: a sorte dos que ficaram em Jerusalém não é melhor do que a dos exilados em 597. Os primeiros julgavam-se «a carne na marmita» (11,3) e julgavam ter direito aos haveres dos seus compatriotas desterrados (11,15; 33,24). O profeta promete que estes hão-de regressar à pátria, onde recomeçarão uma vida nova (11,17-20).

Ezequiel mostra um interesse muito particular por tudo o que diz respeito ao sacerdócio, pois ele mesmo era sacerdote (1,3). O templo constitui o objecto das suas preocupações constantes; o primeiro fora profanado pelos ritos impuros (cap. 38) e, por isso, a glória de Deus o deixou; o segundo é descrito com muitos pormenores nos últimos capítulos. Deus voltará a habitar nele e a sua glória o cobrirá. Refere-se ao papel dos sacerdotes, às festas, ao calendário religioso (cap. 44-46).

A sua mentalidade sacerdotal revela-se ainda na insistência com que fala da Lei, das infracções que Israel cometeu, ao longo da História (20) e das impurezas legais (4,14; 44,7); na preocupação em distinguir entre o sagrado e o profano (45,1-6; 48,9-10); no cuidado em regular os casos de direito e de moral; no tom casuístico dos seus ensinamentos (18); na semelhança inegável que há entre as expressões mais típicas da sua mensagem e a linguagem do Código de Santidade (Lv 17-26). A sua obra enquadra-se na corrente sacerdotal, como a de Jeremias se enquadra na “deuteronomista.”

Porque foi constituído «guarda da casa de Israel» (3,17; 33,7), o profeta sente-se responsável pela salvação de cada um dos seus compatriotas (3,16-21; 33,1-2; 20). A ele se dirigem os anciãos, desejosos de obter uma resposta para os seus problemas (8,1; 14,1; 20,1). Insurge-se com veemência contra os falsos profetas e profetisas (13,10.18-19), e contra aqueles que fazem correr ditos enganadores e provocam a confusão entre o povo (8,12; 9,9; 11,15; 12; 22; 18,2.25.29; 33,17.20.24).

Uma das questões que mais tem preocupado os intérpretes do livro de Ezequiel é o lugar onde o profeta desenvolveu a sua actividade: teria sido só na Babilónia ou só em Jerusalém, ou na Babilónia e em Jerusalém? A hipótese tradicional diz que foi só na Babilónia; e ainda hoje parece a mais viável. Longe da pátria, nas margens do rio Cabar, após a deportação de 597, recebe a vocação profética, anuncia a ruína de Jerusalém e do seu templo e profetiza a futura restauração de Israel. É daí que se dirige aos habitantes de Jerusalém, insistindo com frequência na catástrofe iminente da cidade santa. O seu pensamento está constantemente em Jerusalém; numa das visões, é mesmo conduzido em espírito até lá, onde contempla o culto idolátrico praticado no santuário e assiste ao incêndio da cidade (ver 8-11). Certas passagens, como 11,24-25 mostram bem que ele se encontra no Exílio.

LIVRO

O livro de Ezequiel não foi escrito de uma só vez. Certas passagens, como os duplicados, quebram a sua unidade: o carro de Deus é referido duas vezes, no cap. 1 e 10; a missão do profeta como «guarda do povo» é apresentada em 3,17-21 e em 33,1-9; alguns pormenores sobre o pecado e o castigo encontram-se em 18,21-32 e em 33,10-20; a restauração do povo aparece em 11,16-21 e em 36,16-28. É, pois, de admitir a existência de um redactor posterior, que reviu a obra e lhe deu o último retoque. Mas não é fácil distinguir, sempre, o que pertence ao autor profeta e o que pertence a este redactor.

Também se notam alguns aditamentos: por ex., 2,1-3,9 foi introduzido no meio da visão do rio Cabar; 11,1-21 interrompe o nexo entre 10,22 e 11,12.

Ezequiel manifesta mais do que uma vez que o autor foi um homem de acção: a dirigir-se frequentemente aos seus ouvintes (8,1; 14,1.2; 20,1.2), a dialogar com as pessoas (12,9; 24,19-20; 33,10.17-20), a realizar acções simbólicas diante delas (4,1-5,4; 12,1-14; etc.).

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

No livro encontramos várias visões, acções simbólicas, parábolas e alegorias. É certo que os outros profetas também as empregam; mas, em Ezequiel, estes processos literários têm aspectos característicos muito especiais.

Assim, as visões são mais extensas e escritas com mais pormenores do que as dos seus colegas. Por exemplo, Isaías e Jeremias também tiveram visões, que lhes indicaram a vocação para o profetismo; mas, essas experiências, simples e discretas, não têm a grandiosidade das de Ezequiel. Numa visão um tanto complexa e misteriosa, que teve do carro de Deus (1-3), o profeta contemplou a glória do Senhor. Contudo, evita falar dos elementos divinos de maneira humana; diz sempre «eram algo como», «assemelhavam-se a», etc.

Outras visões grandiosas foram a dos ossos ressequidos (37), que traduz bem o seu talento poético, e a das faltas de Jerusalém (8-11). Nos capítulos finais (40-48) apresenta a visão do novo Reino de Deus; descreve o templo futuro, fala da nova lei e do culto, como verdadeiro legislador, e divide a Palestina entre as tribos de Israel, à maneira de autêntico senhor.

É costume dizer-se que Isaías é o profeta da razão e do raciocínio, que Jeremias e Oseias são os profetas da sensibilidade, e Ezequiel é o profeta das visões, da imaginação e do simbolismo. Na alegoria da leoa e dos leõezinhos (19,1-9), na da videira estéril (15) e nos quadros simbólicos, que descrevem a história de Israel (16 e 23), nota-se bem a sua prodigiosa imaginação.

As acções simbólicas são também frequentes em Ezequiel. Por meio delas desperta a atenção dos ouvintes e ele mesmo dá a interpretação, sempre que lhe pedem (12,9; 21,12; 24,19; 37,18). O cerco de Jerusalém (4), o aniquilamento do povo até se tornar um pequeno resto (5,1-4), a ida para o cativeiro (12,1-7), as dificuldades do cerco (12,17-20), o terror causado pelo anúncio da ruína da cidade (21-22), a hesitação do rei da Babilónia quanto à escolha do caminho a tomar (21,23-28), a impossibilidade de se lamentarem pela queda de Jerusalém (24,15-24) e a reunificação dos reinos (37,15-22), são os acontecimentos anunciados nessas acções simbólicas.

As parábolas e alegorias são também frequentes neste livro. Algumas delas possuem uma rara beleza poética e sobressaem pela sua extensão e riqueza de pormenores. Assim, a parábola de Jerusalém comparada a uma mulher adúltera (16); a das duas irmãs infiéis e prostitutas, acerca da Samaria e de Judá (23); a da videira estéril, sobre Judá (15); a da águia, acerca de Nabucodonosor (17,3-7); a da leoa e dos leõezinhos, sobre Judá (19,1-9); a da videira plantada por Deus, sobre Judá (17,1-10; 19,10-14); a da floresta incendiada, sobre Jerusalém (21,1-5); a do navio que naufraga, acerca de Tiro (27); a do crocodilo, sobre o Egipto e o faraó (29,1-6; 32,1-8); a do cedro que é arrancado, sobre o faraó (31). A extraordinária veia poética de Ezequiel e a sua prodigiosa imaginação estão bem patentes em todas estas parábolas.

ESTRUTURA E CONTEÚDO

A estrutura do livro é a seguinte:

I. Vocação para o profetismo: 1,1-3,27;
II. Oráculos de ameaça contra Judá e Jerusalém: 4,1-24,27;
III. Oráculos contra as nações: 25,1-32,32;
IV. Oráculos de salvação para Israel: 33,1-39,29;
V. Novo reino, novo templo e novo culto: 40,1-48,35.

TEOLOGIA E LEITURA CRISTÃ

Nos primeiros capítulos da obra encontramos os mesmos temas que se nos deparam em Jeremias: o povo de Judá gravemente culpado pelas faltas que cometeu; a justiça de Deus que vai castigar Israel; o cerco de Jerusalém; a tomada da cidade com a destruição do templo; a deportação para o cativeiro; etc. Mas em tudo isto podemos apontar alguns pormenores, próprios de Ezequiel. Vejamos alguns:

A história de Israel é considerada como uma apostasia contínua do povo, pois Israel deixa-se corromper desde o início. Já na sua infância se entregou à idolatria no Egipto e, depois, no deserto e em Canaã (16). Jeremias e Oseias ainda se tinham referido a alguns momentos de fidelidade de Israel (Jr 2,2; Os 2,16-17; 11,1), mas Ezequiel não apresenta um único. Quer assim exprimir, da maneira mais evidente, que o povo é corrupção total, desde o começo da sua existência.

A observância estrita da lei levítica de pureza é um tema predilecto no livro de Ezequiel. Como sacerdote que era, refere-se frequentes vezes à distinção entre o puro e o impuro (22,26; 44,23). Deve ter tido uma educação muito rigorosa, nesse domínio: treme perante a exigência de comer algo que seja impuro (4,14). Alude muitas vezes ao povo que se mancha com os seus pecados (14,11; 20,30; 37,23), em particular com os pecados de idolatria (20,7.8.31; 22,3.4; 23,7.30; 37,23) e com os sacrifícios de crianças (20,26.31); o templo é profanado com os cultos idolátricos (5,11; 7,22.24; 24,21) e o país, com as faltas do povo (36,17) e com os cadáveres dos mortos (39,12.14.16). A profanação do sábado merece-lhe, também, alguns reparos especiais (20,13.16.21.24; 22,8; 23,38). A ideia dominante é a de que o povo e a terra devem ser santos, como Deus é santo.

Além desses pecados, insurge-se também contra certos males de ordem moral e social, como os outros profetas: o desprezo e abandono dos pais (22,7); a opressão das viúvas e dos órfãos (22,7.25); o desprezo dos pobres (18,7.16); a opressão dos estrangeiros (22,7); a usura, a extorsão e a corrupção (18,7-8; 22,12); a luxúria e o adultério (18,6; 22,10-11); o assassínio e o homicídio (18,10; 22,2-4.6-9.12.27; 33,25; 36,18).

Um tema considerado inovador na teologia de Ezequiel é o da responsabilidade individual de cada um, que contrasta com a ideia tradicional da responsabilidade colectiva. É dele que, depois, vai derivar, no Judaísmo posterior, a crença na retribuição após a morte. Nos cap. 8-11 e 18 elabora os princípios morais da responsabilidade religiosa individual: cada pessoa é responsável pelas acções que pratica.

A presença de Deus no meio do seu povo, mesmo entre os exilados, é outro ponto em que insiste amiúde. Deus não abandona o seu povo. A visão do carro de Deus (1-3) mostra que Ele não está ligado à Palestina, mas acompanha o seu povo por toda a parte. Assim, combate uma ideia errada, que estava muito difundida.

A esperança na restauração futura de Israel é inculcada com a visão da ressurreição dos ossos ressequidos (37): Deus faz reviver os ossos, como também há-de fazer voltar Israel para a sua pátria (ver pág. 1420). Os capítulos 34-39 contêm vários oráculos sobre a salvação futura de Israel.

O messianismo não é em Ezequiel uma ideia frequente, como em Isaías. Contudo, aparecem elementos relativos à esperança messiânica, aqui e além: o pequeno «resto» donde sairá a salvação (5,3; 6,8-10; 9,8-9), a salvação no futuro (16,59-63; 17,22-24; etc.). Não se trata de um messianismo real e glorioso, como em Isaías. O futuro David será o pastor do seu povo (34,23-31) e o bom pastor (34). No NT encontramos estas ideias na boca do próprio Cristo (Jo 10,7-18).

O Judaísmo posterior e o NT foram muito influenciados pela Apocalíptica de Ezequiel. Neste capítulo, Ezequiel é um precursor. A profecia sobre Gog (38-39) fala-nos dos últimos tempos e da vitória final de Deus sobre todos os inimigos; Daniel, o próprio Jesus Cristo e São João, no seu Apocalipse, irão desenvolver este pensamento. Neste aspecto, Ezequiel aproxima-se de Isaías. Uma última ideia teológica merece referência: é a que se relaciona com o futuro templo e distribuição do país pelo santuário, pelo rei e pelas doze tribos. Expressa um ideal político e religioso que seria bastante desenvolvido, e que, apesar de não ter sido propriamente posto em prática, ainda explica certas peculiaridades do Judaísmo restaurado.

Capítulos

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