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Qual o significado de quando ficamos em pé ou sentados durante a Missa?

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Entender o sentido dos gestos, das palavras e do silêncio nos ajuda a aproveitar mais ainda as graças que Deus nos concedeEm sua coluna no jornal O São Paulo, da arquidiocese paulistana, o pe. Cido Pereira respondeu nesta semana:Quem pergunta é a Josefa Ribeiro. Josefa, vamos lembrar primeiramente o significado das diferentes posições do corpo na liturgia.

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus

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Evangelho: Mateus 22,15-21

“Naquele tempo,15 os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16 Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17 Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?” 18 Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19 Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda. 20 E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” 21 Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse:  “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
OS POBRES SÃO DE DEUS

       Por detrás de Jesus, os fariseus chegam a um acordo para preparar-lhe uma armadilha decisiva. Eles, mesmos, não vêm ao encontro de Jesus. Enviam-lhe uns discípulos acompanhados por alguns partidários de Herodes Antipas. Talvez, não faltem entre esses poderosos arrecadadores de tributos para Roma.

A armadilha está bem pensada: “É lícito pagar impostos a César ou não?”. Se Jesus responde negativamente, poderão lhe acusar de rebelião contra Roma. Se legitimar o pagamento de tributos, ficará desprestigiado diante daqueles pobres camponeses que vivem oprimidos pelos impostos, aos quais ele ama e defende com todas as suas forças.

A resposta de Jesus foi resumida de maneira lapidar ao longo dos séculos nestes termos: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Poucas palavras de Jesus terão sido citadas como estas. E nenhuma, talvez, mais distorcida e manipulada a partir de interesses muito distantes do Profeta, defensor dos pobres.

Jesus não está pensando em Deus e no César de Roma como dois poderes que possam exigir, cada um deles em seu próprio campo, seus direitos a seus súditos. Como todo judeu fiel, Jesus sabe que a Deus “pertence a terra e tudo aquilo que ela contém, o universo e todos os seus habitantes” (Salmo 24). O que pode ser de César que não seja de Deus? Acaso, os súditos do imperador não são filhos e filhas de Deus?

Jesus não se detém nas diferentes posições que enfrentam naquela sociedade herodianos, saduceus ou fariseus sobre os tributos a Roma e seu significado: se eles portam “a moeda do imposto” na sua sacola, então que cumpram suas obrigações. Porém, ele não vive a serviço do Império de Roma, mas abrindo caminhos ao Reino de Deus e sua justiça.

Por isso, recorda-lhes algo que ninguém lhe havia perguntado: “Dai a Deus o que é de Deus”. Quer dizer, não deis a nenhum César o que é, somente, de Deus: a vida de seus filhos e filhas. Como repetiu, tantas vezes, aos seus seguidores: os pobres são de Deus, os pequenos são seus prediletos, o Reino de Deus lhes pertence. Ninguém há de abusar deles.

Não se há de sacrificar a vida, a dignidade ou a felicidade das pessoas por nenhum poder. E, sem dúvida, ninguém pode sacrificar, hoje, mais vidas e causar mais sofrimento, fome e destruição que essa “ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” que, segundo o Papa Francisco, conseguiram impor os poderosos da Terra. Não podemos permanecer passivos e indiferentes silenciando a voz de nossa consciência na prática religiosa.

RELIGIÃO E POLÍTICA

       Nunca foram fáceis as relações entre fé e política. Tampouco, entre a Igreja e os políticos. Às vezes, são os políticos que procuram utilizar a religião para defender sua própria causa. Outras vezes, é a Igreja que pretende servir-se dos políticos para seus próprios interesses. E, com frequência, não se valoriza, devidamente, a importante tarefa do político nem ele é ajudado a descobrir o papel que a fé pode desemprenhar em sua tarefa.

Para esclarecer, temos de começar, talvez, por recordar dois dados amplamente admitidos pela exegese [estudo científico da Bíblia] atual. De um lado, o projeto do Reino de Deus que Jesus põe em marcha busca a transformação profunda na convivência humana e está, portanto, destinado a ter uma repercussão política, no sentido amplo desta palavra, que é promover o bem comum na sociedade.

Porém, por outro lado, Jesus não utiliza o poder para levar adiante seu projeto, e por isso, se distancia da “política” no sentido moderno da palavra, que é o uso técnico do poder para estruturar a convivência humana. O Reino de Deus não se impõe pelo poder, pela força ou pela coação, mas penetra na sociedade pela semeadura e acolhida de valores como a justiça, a solidariedade ou a defesa dos fracos.

O episódio do tributo a César é iluminador. A resposta de Jesus diz assim: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. É um anacronismo equivocado ver nestas palavras uma “separação entre política e religião”, como se a primeira se ocupasse dos problemas terrenos e a segunda somente do espiritual. Seu sentido é outro. Perguntaram a Jesus pelos direitos de César, porém ele responde recordando os direitos de Deus, pelos quais ninguém lhe havia perguntado. A moeda imperial traz a imagem de César, porém o ser humano é “imagem de Deus”, e sua dignidade de filho de Deus não deve ficar submetida a nenhum César.

O político cristão não deve, jamais, utilizar Deus para legitimar suas posições partidárias; a fé cristã não se identifica com nenhuma opção de partido, pois os valores evangélicos podem ser promovidos a partir de diversas mediações técnicas. Porém, isso não significa que se deva encurralar a fé ao âmbito do privado. O evangelho oferece ao político cristão uma inspiração, uma visão da pessoa e valores que podem orientar e estimular a sua tarefa.

O grande desafio para o político cristão é como tornar politicamente operativos na vida pública esses valores que defendem o ser humano de tudo aquilo que o possa desumanizar.
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Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.


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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br http://xacute1.com

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