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Qual a distância do Egito ao Mar Vermelho. Do Sinai até o Rio Jordão?

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Pergunta de Paulo Roberto Ribeiro de Pires do Rio / Goiás e resposta do Prof. Dr. OdalbertoOlá Paulo Roberto Ribeiro de Pires do Rio / Goiás !Imagino que a pergunta que estas fazendo tem relação com a caminhada do povo de Deus a terra prometida. O caminho do Êxodo. Para responder esta pergunta temos algumas dificuldades, este povo em caminho seguia pelo deserto, possivelmente tinha caminhos de caravanas que sabiam onde estavam os Oasis, para se reabastecerem, assim o caminho se tornava tortuosos e mais longo.

Igreja e Império nos séculos IV/V

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Continuaremos a percorrer a história das relações entre a Igreja e o Império Romano, desde 363 até o fim do século V. A história dos dogmas da fé que se desenvolveu contemporaneamente, ficará para os capítulos 8-13 até o fim do século IV.

1. Sucederam a Juliano, o Apóstata, os Imperadores Joviano (363-4), Valentiniano I (364-375) no Ocidente, e Valente (364-78) no Oriente; Graciano (375-83) e Valentiniano II (383-92) no Ocidente, e Teodósio I, o Grande, (379-395) no Oriente.

Todos estes monarcas contribuíram para a restauração da vida e das instituições do Cristianismo onde haviam sido interrompidas. A fé cristã foi-se implantando cada vez mais nas grandes cidades; era nas aldeias ou pagi (em latim) que se encontravam redutos da antiga religião helenista, de modo que os adeptos desta ficaram sendo os pagani (habitantes das aldeias); daí se deriva a palavra portuguesa pagão para designar o cultor de mitos ou deuses9. É numa lei de 370 que  pela primeira vez na história ocorre o termo paganus para designar o não cristão.

2. O imperador Graciano (375-83), no Ocidente, recusou o título e a veste de Pontifex Maximus (Pontíficie Máximo). Mandou suspender as contribuições do Estado para o culto pagão e afastou do Senado de Roma o altar da deusa Victória (382). Estas medidas suscitavam forte agitação na sociedade não cristã. O alto patriciado de Roma, que ainda conservava muitas das suas tradições mitológicas, enviou ao Palácio do Imperador em Milão uma delegação, chefiada pelo celebre senador e orador Símaco, a fim de solicitar a restituição do altar de Victória ao seu lugar no Senado. Graciano, porém, recusou-se a receber em audiência tais legados.

A Graciano sucedeu seu irmão Valentiniano II (383-92), com 13 anos de idade. A facção pagã da sociedade repetiu seu apelo, desta vez por escrito. Os conselheiros do Imperador estavam dispostos a ceder, mas o Bispo de Milão, S. Ambrósio, em atitude prudente e enérgica, dissuadiu o Imperador de aceitar a solicitação de restaurar a Ara Victoriae no Senado (384); o próprio S. Ambrósio, em uma de suas cartas, afirmou queentão a maioria dos membros do Senado já era cristã (ep. 17, 9,10).

3. Sob Teodósio I (379-95), que reinou no Oriente do Império, registraram-se acontecimentos importantes. Aos 28/02/380, o Imperador assinou um decreto que tornava oficial a fé católica “transmitida aos romanos pelo apóstolo Pedro, professada pelo Pontífice Dâmaso e pelo Bispo de Alexandria, ou seja, o reconhecimento da Santa Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Com estas palavras, Teodósio abraçava, para si e para o Império, o Credo que, proveniente dos Apóstolos, era professado então pelo Papa São Dâmaso (366-84) e pelo Bispo S. Atanásio de Alexandria, grande defensor da fé ortodoxa na controvérsia contra os arianos (ver módulo 8). Assim o Cristianismo, que Constantino I tornara lícito em 313, era feito religião oficial do Império Romano.

Teodósio continuou a extirpação dos resquícios do politeísmo pagão. De 388 em diante mandou fechar numerosos templos; em Alexandria foi destruído o famoso Serapeion (391); o povo e os monges por vezes tomavam parte ativa nessa campanha de extinção do paganismo. Em 392 Teodósio deu ulterior passo: um decreto imperial equiparava os sacrifícios pagãos de animais imolados e o aruspício (exame das vísceras de animais para adivinhar o futuro ou esclarecer dúvidas) a alta traição e os punia com o confisco de bens.

No Ocidente, o assassínio de Valentiniano II (392) por parte do general franco Argobasto e a ascensão do usurpador Eugênio (392-4) deram ocasião, por breve tempo, a novo surto do paganismo; em Roma foi permitido o exercício da religião politeísta, e a Ara Victoriae foi devolvida ao Senado. Teodósio, porém, interveio em Isonzo perto de Aquiléia (394) e pôs termo às expressões do paganismo, que doravante já não teria vitalidade para tentar reassumir a sua posição do outrora.

Os múltiplos favores concedidos pelos Imperadores à Igreja poderiam contribuir para lhe tirar a autonomia, reduzindo-a à qualidade de feudo manipulado pelos interesses políticos da corte. Tal não foi o caso, de modo geral. Tenha-se em vista, de modo especial, o comportamento do Bispo de Milão, S. Ambrósio, frente ao Imperador Teodósio: este , em Tessalônica (Grécia), querendo vingar um comandante morto num movimento revolucionário, mandou matar sete mil pessoas, inclusive mulheres e crianças (390). Ao saber disto, S. Ambrósio condenou o crime e ameaçou excomungar o Imperador. Este quis reagir diante da atitude do Bispo, mas caiu em si e se arrependeu. Na noite de Natal de 390, o Imperador, poderoso como era, revestiu-se do hábito dos penitentes, acusou e repudiou publicamente o seu pecado; em seguida, absolvido pelo Bispo, foi readmitido à Comunhão Eucarística. S. Ambrósio assim lembrava um princípio muito antigo entre os cristãos, mas esquecido na época: “O Imperador está dentro da Igreja, e não acima dela”.

Ao morrer em 395, Teodósio deixou a Igreja consolidada neste mundo tanto em relação ao paganismo, que a perseguia, como em relação à heresia ariana, que encheu o século IV por inteiro e que o Imperador contribuiu para afastar, aderindo incondicionalmente ao Concílio de Constantinopla I (381); ver capítulo 8.

O século V

Teodósio deixou o Império a seus dois jovens filhos, assaz imaturos para governar: Arcádio (395-408) no Oriente, e Honório (395-423) no Ocidente.

1. No Oriente novas medidas foram sendo tomadas para eliminar os resquícios do paganismo. Arcádio aboliu os privilégios de que gozavam os sacerdotes pagãos e mandou fechar os templos construídos nas zonas rurais. Seu filho Teodósio II (408-450), influenciado por Pulquéria, irmã de Teodósio II, excluiu os pagãos dos cargos estatais, e em 448 mandou que as obras do filósofo Porfírio, contrárias ao Cristianismo, fossem queimadas. Em 423 um edito do Imperador dava a entender (hiperbolicamente) que já não havia pagãos.

Sob Teodósio II deu-se o famoso caso da filósofa neoplatônica Hipácia de Alexandria (370-415). Esta se dedicava à matemática, à astronomia e, principalmente, à filosofia; praticava, além do mais, a teurgia (ritos destinados a mover os deuses e os demônios em favor de quem a eles recorria). Entre os discípulos de Hipácia, havia um certo Sinésio de Cirene (? 414 aproximadamente). Ainda não batizado, Sinésio foi eleito em 411 Bispo de Ptolemaida; só aceitou o cargo à condição de não ter que renunciar às suas concepções neoplatônicas referentes à preexistência das almas, à eternidade do mundo e à interpretação alegórica da ressurreição dos corpos. Feito Bispo, Sinésio revelou-se pastor zeloso e defensor da Igreja; aos poucos foi assimilando a doutrina cristã. É figura muito estranha na antiguidade; representa bem o período de transição da cultura pagã para a fé cristã por que passavam muitos intelectuais da época.

Quanto a Hipácia, sabe-se, pelas fontes antigas, que morreu assassinada: ao voltar de uma viagem,  foi , por um grupo de pessoas, puxada para fora de sua carreta, arrastada para uma igreja e assassinada com pedras e cacos; o seu cadáver terá sido esquartejado e espalhado pelos arredores. Sobre a causa deste atentado, refere a fonte mais minuciosa e segura10 o seguinte: a comunidade cristã de Alexandria julgava que Hipácia tramava com o Prefeito Orestes de Alexandria contra o Bispo S. Cirilo; ora, no ambiente de tensões então vigente, o leitor Pedro terá chefiado um punhado de gente acalorada para cometer o morticínio; S. Cirilo não terá tomado parte na façanha, apesar do que refere o filósofo Damásio, discípulo da escola neoplatônica como Hipácia. Não se pode deixar de condenar o procedimento dos cristãos de Alexandria, que resolveram fazer justiça com as próprias mãos contra Hipácia. De resto, naquele ambiente de animosidade também os pagãos se lançaram contra os cristãos; narram as fontes, entre outros casos, o linchamento de um estudante cristão por volta de 485-7. Tais fatos são típicos da época que estamos analisando; havia certo antagonismo entre o Cristianismo e a cultura (letras, pintura, música, jogos, ciência, filosofia…) existente no Império, pois toda esta se achava impregnada de mentalidade pagã; a própria filosofia em Alexandria estava associada a práticas mágicas. Era preciso separar mitologia e cultura para que o Cristianismo pudesse assumir a cultura clássica. Esta tarefa foi executada com muito zelo pelos mosteiros dos séculos VI-X: os monges “copistas” transcreveram as obras dos autores romanos e as utilizaram para elaborar uma nova cultura – a medieval -, que recorria copiosamente aos grandes sistemas filosóficos de Platão e Aristóteles.

2. No Ocidente, as invasões de tribos germânicas causaram devastações a partir do século IV; houve em consequência, o despovoamento de algumas regiões. Em virtude da situação caótica assim instaurada, a implantação do Cristianismo foi mais lenta do que no Oriente. Ainda em fins do século VI, o Papa São Gregório Magno referia-se ao paganismo existente nas ilhas da Sardenha, da Córsega e em regiões distantes. O número de cristãos no Ocidente, por volta do ano de 600, era de 7 a 8 milhões numa população global de cerca de 10 milhões.

Nem todos esses cristãos haviam recebido sólida catequese; como se dirá no capítulo 7 , os povos germânicos se convertiam ao Evangelho coletivamente, seguindo o exemplo de seu chefe. Havia, pois, muitos batizados ministrados sem a devida doutrinação anterior. Tais cristãos guardaram algo das suas práticas supersticiosas (magia, astrologia…) e não podiam dar o testemunho de vida fervoroso e coerente que as comunidades dos primeiros séculos ofereciam ao mundo pagão.

A ação evangélica da Igreja

A Igreja, através dos seus bispos e missionários, dedicou-se à ação evangelizadora. Interessava-se por converter em verdadeiros cristãos aqueles que haviam abraçado a fé superficialmente ou para atender a pressões do Imperador, como também atingia os pagãos, romanos ou bárbaros, que povoavam o Império.

A obra missionária foi grandemente favorecida pelo teor mesmo da mensagem evangélica. Esta era de conteúdo muito superior ao das crenças pagãs: apresentava, sim, um só Deus, que por amor criou o mundo e o homem, e exerce sábia providência em relação à história de cada criatura; o Pai Celeste é Senhor de todos os maus espíritos ou demônios; exclui o fato ou o destino, e convida os homens a uma conduta filial, para a qual está reservado o prêmio da vida eterna. O anúncio destas verdades, corriqueiras para quem já nasceu em civilização cristã, era altamente significativo para os pagãos.

Nos tempos entre Constantino I e Juliano as instituições e as normas do Direito Civil foram sendo progressivamente impregnadas de espírito cristão, sobretudo no que diz respeito à mulher, à criança, à família, ao trabalho…

Além da função estritamente evangelizadora, os Bispos tiveram que assumir tarefas de ordem temporal, pois o Ocidente se achava sob os golpes das invasões e os Imperadores, residentes em Bizâncio (Oriente), pouco se importavam com as sortes das populações ocidentais. Em meio à desordem, os Bispos tiveram, por vezes, que administrar os bens materiais das suas comunidades, como também foram levados a proteger, alimentar  e abrigar as populações mais carentes. Em particular, destaca-se a figura de São Leão Magno (440-461): era um autêntico romano, de caráter nobre e corajoso. Foi ao encontro de Átila, chefe dos Hunos, nas proximidades de Mântua em 452, persuadindo-o a tomar o caminho de volta; em 455, dirigiu-se ao rei dos vândalos, Genserico, que, atendendo ao Papa, renunciou a depredar a cidade de Roma a ferro e fogo. Socorreu os romanos com sua solicitude e seus bens, fazendo o que não fazia o representante do Imperador residente em Ravena.

Outra figura de Bispo notável foi a de São Martinho de Tours (316-397) na Gália. Recebeu o Batismo aos dezoito anos de idade; tornou-se monge e, depois, foi feito Bispo. Introduziu o monarquismo na França e mandou ordenar  como presbíteros os seus monges; em consequência, os monges na França se tornaram os mestres de espiritualidade e os responsáveis pela configuração da Igreja. Além disso, São Martinho se dedicou intensamente à evangelização das zonas rurais, onde o apego aos costumes próprios resistia à penetração do Evangelho: montado em jumentinho e pobremente equipado, ia S. Martinho de aldeia em aldeia chamando para Cristo todos os homens carentes.

Outros grandes nomes de Bispos defensores das populações e da civilização podem ser citados: São Paulino de Nola (353-431), S. Máximo de Turim (? após 465), S. Agostinho de Hipona (? 430), S. Hilário de Poitiers (315-367), S. Pedro Crisólogo, de Ravena (? 450). Pode-se dizer que foi a Igreja que salvou a civilização na tempestade das invasões bárbaras e assegurou a união dos habitantes do Império Romano. Como dissemos, na falta de um Governo forte no Ocidente, os Bispos tinham que assumir não somente a pregação do Evangelho, mas também a administração dos bens da sua Comunidade, o contato com os bárbaros, a proteção e a alimentação das populações carentes.

Cleofas

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